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Algumas vezes, os editores nem mesmo se dão ao trabalho de perguntar. Ao receber a versão final de “Never eat your heart out” (“Nunca morra de inveja”), um livro de memórias de Judith Moore para o qual havia escrito a apresentação, Bernard Cooper ficou surpreso quando descobriu que suas palavras de elogio haviam sido esquentadas com a aclamação “Bravo!”. “Com certeza, acreditava que o livro dela merecia uma exclamação veemente”, afirmou Cooper. “Ocorre que as chances de eu dizer ´Bravo!´ são tão grandes quanto as chances de eu dizer ´Touché!´. Aquilo me fez soar como alguém que usasse echarpes.”
A maior parte dos editores jura nunca ter apelado conscientemente para a tática do “resumo tendencioso”. “A gente fica tentado e afoito”, disse Morgan Entrekin, editor da Grove-Atlantic. “Publicamos mais de cem livros por ano. Sei que cometemos erros. Mas tentamos nos pautar pelas regras.” Para Entrekin, isso significa preservar as palavras ou a intenção das resenhas. Paul Slovak, editor da Viking, diz que a honestidade de sua empresa baseia-se em parte no desejo de manter “um bom relacionamento” com os críticos literários. “Michiko Kakutani não ficaria contente se usássemos palavras elogiosas de uma resenha negativa dela”, afirmou, referindo-se à pessoa mais importante da equipe de críticos literários do The New York Times.
Tom Perry, editor associado da Random House, a empresa responsável pela publicação de Thirtheen moons, nega que a citação da palavra “Gênio” seja propaganda enganosa. “Fomos bastante sucintos e contundentes”, afirmou. “Não temos espaço para dar e vender.”
Muitos dos que trabalham nesse mercado tentam identificar uma hierarquia da falta de ética. Alterar ou adicionar palavras é a ofensa mais grave. "A gente não faz isso", disse Slovak. “Ninguém deve mentir.” |