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Resenhas literárias ao gosto do freguês
por Henry Alford
[continuação]

Mas e se os papéis estivessem invertidos? Lehmann-Haupt ou Bronson viriam a público atacar uma “descrição tendenciosa” constante da contra-capa de um livro deles? “Eu ofereceria objeções bastante contundentes”, afirmou Lehmann-Haupt. Bronson adotou a mesma linha. Mas o escritor Stephen Elliott conta uma história diferente. Quando seu primeiro livro, “A life without consequences” (“Uma vida sem conseqüências”), recebeu um elogio cheio de ressalvas do “The San Francisco Chronicle” – a linha fina da resenha descrevia a corajosa e semi-autobiográfica narrativa sobre a vida dos sem-teto como “uma leitura obrigatória para os assistentes sociais” –, a editora dele simplesmente resumiu a citação às palavras “leitura obrigatória“. “Eu não vi problema nenhum naquilo”, disse Elliott, rindo. “A resenha era um tanto agressiva.”

O escritor Joe Queenan, que diz haver tido citações adulteradas ao menos duas vezes, prefere tornar ainda mais incisivo o tom da pergunta "E se fosse você?": “Se você tivesse à sua disposição comentários de Günter Grass, J. M. Coetzee e John Updike – todos bastante negativos-, você os usaria? Se Updike tivesse escrito, ´Ao menos ele preservou a história´, você usaria essa frase?”.

Um editor de livros ávido por divulgar seus autores conta o caso de um famoso escritor que, certa vez, elaborou um comentário sobre o romance de estréia do filho de um amigo. Apesar da falta de qualidade do livro, o escritor manifestou-se por meio da frase: "Um clássico primeiro romance".

“Eu sempre achei aquilo brilhante”, afirmou o editor. “Eu teria pegado aquilo e reduzido para ´Um clássico!´”. Bravo.
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Henry Alford é do Book Review