Toda prosa
  
01 de fevereiro de 2006
“Pegadinha britânica” põe a nu editor insensível
 
A história das obras-primas recusadas é tão vasta quanto a da própria literatura. De James Joyce a Ernest Hemingway, de Gabriel García Marquez a Italo Calvino, grandes escritores tiveram obras rejeitadas. Talvez o caso mais curioso tenha sido o de Marcel Proust com o seu Em busca do tempo perdido. Na época, Proust foi recusado por várias casas editoriais, apesar de se mostrar disposto a pagar pela publicação. Conta-se que alguns pacotes não foram sequer abertos pelos editores.

Em Londres, o jornal The Sunday Times resolveu no começo deste ano fazer um teste para saber como editoras e agentes literários recebem inéditos de autores estreantes. Em vez de nova ficção, porém, foram enviados os capítulos iniciais de dois livros que venceram o Booker Prize, maior premiação do gênero na Inglaterra, nos anos 70 - Holiday, de Stanley Middleton, e In a free state, de V.S. Naipaul, este último vencedor de um Nobel (2001). Das 21 respostas, apenas uma foi favorável. "As pessoas não parecem saber o que é hoje um bom romance", disse Middleton. O outro "recusado", Naipaul, tentou contemporizar: "Para saber se algo está bem escrito é preciso muito talento. Com tantos meios de entretenimento hoje, há poucas pessoas no mundo que compreende o que é um bom parágrafo".