Toda prosa
  
10 de abril de 2007
A intimidade do poder
 
Fortunato, assessor de Getúlio, flagrado por Manzon
Um dos pioneiros do fotojornalismo no país, o francês Jean Manzon registrou o cotidiano político brasileiro nos anos 40 e 50. Até então novidade para o público, as imagens captadas e expostas na revista O Cruzeiro “revelam sem pudor a intimidade do poder”, segundo Leonel Kaz, que reuniu 200 fotos em Jean Manzon – retrato vivo da grande aventura. De Getúlio Vargas, Manzon trouxe à cena seus auxiliares, entre os quais Gregório Fortunato, o guarda-costas que entraria para a história como mandante do atentado a Carlos Lacerda, opositor de Vargas. O episódio desencadeou uma crise que culminou com o suicídio de Vargas, em 1954:


“Manzon foi o fotógrafo que maior acesso teve ao entourage de Vargas. Nesta seqüência cinematográfica, Gregório Fortunato – o guarda-costas mais famoso da história do Brasil, conhecido popularmente como Anjo Negro – aparece lendo serenamente o jornal. Em seu livro de memórias, Manzon descreve Fortunato da seguinte forma: ‘O colosso que comanda a guarda privada de Getúlio Vargas usa um chapéu de feltro, de filme americano, e um paletó xadrez de flanela suficientemente grande para caber a 45, que ele carrega num coldre, e mais dois revólveres que ficam enfiados em sua cintura. Quando ele ri, descobre-se uma praia de dentes brancos’.”