Toda prosa
  
01 de novembro de 2005
A moral, a ética e o PT
"O moralismo veicula a idéia falsa de que poder pode não ser corrupto"
por Oscar Pilagallo
O filósofo italiano Antonio Negri foi atropelado pelos acontecimentos. Em agosto, seu último livro, com uma avaliação positiva do governo Lula, estava sendo encaminhado ao prelo, quando a crise do mensalão atingia um ponto crítico. O que fazer?

Com longa militância de esquerda, Negri não acusou o golpe. Em Glob(AL), que escreveu em parceria com Giuseppe Cocco, introduziu uma nota de última hora em que explica por que manteve inalteradas as conclusões.

Negri, que foi condenado a treze anos de prisão por atos de violência nos anos 60 e 70, tornou-se uma das principais vozes do movimento antiglobalização. O filósofo tem interesse na política brasileira. Em 2003, meses depois de ter cumprido a pena, viajou ao Brasil, onde foi recebido por membros do governo Lula.

De saída, Negri e Cocco consideram extremamente graves as denúncias de corrupção que envolvem os dirigentes do Partido dos Trabalhadores e o governo. O que permite aos autores continuar mantendo a avaliação positiva de Lula é uma sutil distinção entre moral e ética.

Para eles, qualquer pressão moralista, mesmo quando tendo origem no próprio PT, é reacionária. Por quê? “Porque o moralismo veicula apenas a verdade do poder, ou seja, a idéia (falsa) de que o poder pode não ser corrupto. Na realidade, o poder é sempre corrupto, pois é fruto da corrupção da democracia, de sua limitação, de sua despotencialização, ou seja, da redução da potência de muitos ao poder de poucos.”
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Oscar Pilagallo é jornalista e autor de A História do Brasil no século 20 (em cinco volumes), O Brasil em sobressalto e A aventura do dinheiro, todos pela Publifolha.