Toda prosa
30 de agosto de 2007
A morte como ela é, por Vonnegut
 
Pouco depois da morte do escritor Kurt Vonnegut, clássico da contracultura americana, sai agora no Brasil o seu divertido Deus o abençoe, dr. Kevorkian (Record), no qual trava 21 estranhas entrevistas com personalidades de várias áreas, todas completamente mortas, sobre o que há depois da vida.

Disfarçado de repórter, para a rádio pública WNYC, de Nova York, Vonnegut mantém o estilo incisivo e sarcástico:

Adolf Hitler
“Sua esperança é de que um monumento modesto, possivelmente uma cruz de pedra, já que ele era cristão, seja erguido em algum lugar à sua memória (...) com duas palavras em alemão: 'Entschuldigen Sie'. Numa tradução apaixonada, isso significa 'Desculpem-me'.”

Isaac Newton
“Não se conforma em ter deixado Darwin enunciar a teoria da evolução, Pasteur a dos germes e Albert Einstein a da relatividade. 'Eu devia estar surdo, mudo e cego para não ter pensado nessas coisas.'”

William Shakespeare
“Perguntei-lhe à queima-roupa se ele era mesmo o autor de todas as peças tea¬trais e poemas que lhe são atribuídos. 'Aquilo a que chamamos rosa seria igualmente perfumada com qualquer outro nome', disse ele. 'Pergunte a São Pedro.'”

Isaac Asimov
“Foi um prazer conversar com você – disse ele -, mas preciso voltar a meu trabalho: seis volumes sobre a crença estapafúrdia na vida após a morte”.