Toda prosa
  
01 de março de 2006
A sabedoria das pioneiras
 
Hildegarda de Bingen
Os manuais da Inquisição não deixavam dúvidas: qualquer mulher que se envolvesse com o tratamento de doenças seria considerada feiticeira e poderia ser condenada. A regra ignorava que, desde a Antigüidade, mulheres se destacavam no ofício de salvar vidas. Hildegarda, abadessa do convento de Rupertsberg, na Alemanha, nascida em 1098, é uma delas.

"Por trás dos muros austeros de seu convento, essa mulher extraordinária se mantém a par de tudo aquilo que acontece na Europa. (...) Além de suas investigações religiosas, ela também trata de medicina. Reuss, que prefaciou uma das edições de suas obras, declara com admiração: \\'Essa virgem, iniciada em tudo que sua época conhecia sobre os segredos da natureza, examina e perscruta até sua essência mais íntima tudo aquilo que então estava mergulhado nas trevas.\\' Até mesmo os órgãos genitais masculinos não escapam ao seu estudo. Sua Physica e seus dois tratados - Liber simplicis medicinae e Liber compositae medicinae -, além da descrição de plantas, minerais e espécies úteis à saúde do homem, contêm idéias completamente originais para o começo do século XII."

Mulheres e médicas: as pioneiras da medicina, de Josette Dall\\'Ava-Santucci; págs. 52 e 53