|
 |
|
 |
|
 |
|
 |
|
|
|
 |
Toda prosa |
|
|
| 01 de outubro de 2005 |
 |
|
| A sexualidade do dinheiro |
| Vida financeira pode ser chave para entender nossa personalidade |
| por Oscar Pilagallo |
A psicanálise freudiana dá grande ênfase à análise da infância do paciente como meio de identificar patologias mentais. Os primeiros anos de vida, porém, não são a única fonte de luz a iluminar os recantos sombrios de nossa personalidade. O dinheiro é igualmente importante, defende o psicólogo junguiano Axel Capriles. "A exploração da vida financeira de um paciente é tão necessária quanto a análise da infância", escreve ele no recém-lançado Dinheiro - sanidade ou loucura?.
Empresário e intelectual, Capriles se relaciona com o dinheiro de maneira prática e abstrata. O título do livro no original em espanhol é "o complexo do dinheiro", algo que substituiu o papel que a sexualidade desempenhava na psicologia de Freud. "Há muito mais loucuras e doenças associadas ao dinheiro do que ao sexo ou a qualquer outro componente mental."
Na trilha aberta por Jung, o autor trabalha com a perspectiva de que a doença mental e a loucura nada mais são do que manifestações extremas da matriz de problemas vitais que, no íntimo, todos enfrentamos. As taras monetárias, como a avareza e a compulsão em gastar, podem se manifestar em pessoas consideradas normais. Tudo é uma questão de gradação.
A avareza tem sido a patologia monetária mais estudada. O que intriga no avarento é sua própria contradição: o rico que vive na pobreza. Capriles resume o ponto de vista da psicanálise ortodoxa: trata-se de um distúrbio no desenvolvimento psicossexual do indivíduo, uma fixação na fase anal. "A acumulação de dinheiro se converte, assim, no equivalente simbólico da retenção e do controle merecedores da aprovação familiar e social." |
|
1 2 3 » |
 | Oscar Pilagallo é jornalista e autor de A História do Brasil no século 20 (em cinco volumes), O Brasil em sobressalto e A aventura do dinheiro, todos pela Publifolha. |
|
|
|
|
|
|
|
|