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Toda prosa |
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| 01 de janeiro de 2006 |
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| As personagens reais que inspiraram Tolstói |
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A beleza de Anna Kariênina não era a de uma russa qualquer; era a da filha do poeta Púchkin. Tolstói a vira uma vez e ficara impressionado. Não é a única personagem do livro calcada numa pessoa real. O escritor tinha o hábito de incorporar em seus romances o modelo físico de amigos e parentes. Ele próprio e sua mulher se encaixam na descrição do casal Liévin e Kitty. O quem-é-quem dos modelos é dado na apresentação de Anna Kariênina por Rubens Figueiredo, responsável pela tradução do russo da edição recém-lançada.
Quanto à história, tem uma origem nada literária. Em 1872, um ano antes de começar o romance, Tolstói tomou conhecimento do fato que o motivaria. Um vizinho, seu parceiro em caçadas, vivia com certa Anna, sua amante. Ele, porém, a abandonou e Anna se jogou sob um trem, não sem antes redigir um bilhete: "Você é o meu assassino. Seja feliz, se um assassino puder ser feliz". Tolstói presenciou a autópsia, a imagem da mulher o marcou. O projeto literário, no entanto, só surgiria ao juntar o suicídio com a idéia que ele acalentara de escrever sobre uma mulher adúltera.
Quanto à forma, registra Figueiredo, o livro é estruturado em paralelismos. "Aliás, seu título, nos primeiros rascunhos, era Dois casamentos ou Dois casais: o adúltero e o legítimo." Os temas centrais não são entrelaçados, apenas justapostos. "Esse modo de compor o livro ressalta a forte oposição de Tolstói aos procedimentos da narrativa romântica."
O paralelismo surge na famosa primeira linha do romance: "Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira". Fisgado o leitor de primeira, Tolstói não o solta mais. |
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