Toda prosa
  
01 de setembro de 2005
Borges e Machado, bruxos e amigos
 
O ano, 1939. Seria o do centenário de nascimento do bruxo do Cosme Velho, Machado de Assis. Para Jorge Luis Borges, aquele foi um ano emblemático. A morte do pai e um acidente que pôs El Brujo em risco de vida marcariam definitivamente a sua escrita. Em Memorial de Buenos Aires, novo livro do escritor carioca Antônio Fernando Borges, que sai no próximo ano pela Companhia das Letras, 1939 é o ano em que os dois bruxos se conhecem, por acaso, em um bonde da capital portenha. Viram amigos, de frequentar cafés e conversar sobre Schopenhauer.

O tom levemente fantástico do novo romance começa a partir da história de como nasceu o livro. "O romance surgiu quando o título me veio à cabeça: eu dentro de um táxi, com um livro de Borges na mão, tendo à minha frente a estátua de Machado de Assis, enquanto o carro passa pela frente da Academia Brasileira de Letras", conta.

Machado, no romance, é representado pelo seu alter-ego, que, aliás, tem o mesmo nome dele, Antônio Fernando Borges. É um professor de literatura tão obcecado pelo criador de Quincas Borba que acredita que vai ficar doido a qualquer momento, assim como seu personagem - e por isso se sente também Machado, de quando em quando. Com o seu Memorial de Buenos Aires - que tem a mesma estrutura de diário de Memorial de Aires, de Machado -, Antônio Fernando Borges encerra a trilogia que homenageia os dois autores que mais o influenciaram - Que fim levou Brodie? (contos, Record), prêmio Nestlé em 1995, recriou o universo borgiano. Com Braz, Quincas & Cia (romance, Companhia das Letras), revisita a atmosfera de Machado.