Toda prosa
  
01 de junho de 2005
Caçador de clichês quebra as muletas do discurso
 
O escritor e jornalista Sérgio Rodrigues
Jargões, clichês, modismos são muletas do discurso. Preguiçosos, nos apoiamos na primeira que aparece, a que está mais à mão. A conversa fiada flui, a língua afiada empobrece. É por isso que é bom ter alguém por perto para nos lembrar das expressões sem sentido que repetimos automaticamente. Alguém como Sérgio Rodrigues, escritor e jornalista que vem se especializando na arte de caçar idéias prontas. Em What língua is esta?, Rodrigues identifica palavras que, tão rápida quanto inadequadamente, instalam-se em nosso repertório.

Enfim é uma delas. Quantos de nós não pontuamos nossa fala com o recorrente enfim? E não nos sentidos admitidos nos dicionários. O advérbio vem sendo empregado solto, no fim da frase, significando algo como "sei lá, mil coisas". Rodrigues até simpatiza com o enfim, mas o problema, diz, é o excesso que pode nos tornar irritantes enfinzistas.

Outra expressão que pegou é o "é complicado". Tudo que poderia ser chamado de perigoso, constrangedor, delicado, incerto, impossível, inexplicável, ridículo, tudo é complicado. " Até o simples é complicado", diz Rodrigues.