Toda prosa
  
04 de setembro de 2007
Carta a um jovem escritor
 
MUSEU HISTÓRICO NACIONAL, RIO DE JANEIRO
Machado, recomendado por Mário de Andrade
Mário de Andrade dizia que Machado de Assis, ainda que “vitorioso na vida”, tornara-se “o ser amargo, sarcástico, ou apenas aristocraticamente humorista, ridor da vida e dos homens”, pois não conseguira superar seus complexos em relação à sua origem, sua deficiência intelectual e sua doença. Ainda assim, para Mário de Andrade, “as obras valem mais que os homens”. Em carta, indicava Machado entre as leituras para a formação do então jovem Fernando Sabino:

“Você precisa muito de ler Machado de Assis, mas ler com reler, roubando ele, plagiando ele, não no estilo nem no espírito mas na delicadeza de sentimento. Machado de Assis não deve ser para você um companheiro de vida, mas apenas um tesouro onde você vai roubar. Roube dele tudo quanto possa ser útil a você, jogando o resto fora. Mas sempre não se esquecendo que você pode roubar errado. O problema é delicadíssimo. Veja o problema do estilo: se você escrever, chegar e escrever no estilo de Machado de Assis você se esculhamba por completo, se perde. Mas você precisa chegar a um estilo que fosse em você e em 1952, o correspondente do que foi o estilo de Machado de Assis no tempo dele”.

Orgulho de jamais aconselhar – A epistolografia de Mário de Andrade, de Marcos Antonio de Moraes, pág. 44 (Edusp, 248 págs., R$ 41)