Toda prosa
01 de junho de 2005
Comemorações do Bloomsday no Brasil
 
Em 16 de junho de 1904, o então escritor novato James Joyce inicia, num passeio por uma praia da sua Irlanda natal, uma relação que jamais romperia com a mulher que se tornaria a mãe de seus filhos, Norma Barnacle. E é justamente essa a data escolhida pelo autor para contar a odisséia de um dia narrada em ULISSES, sua obra-prima (tema do dossiê da edição 2 de EntreLivros). Por isso, o sobrenome de Leopold Bloom, o personagem principal de ULISSES, acaba batizando o Bloomsday.

No Brasil, as comemorações anuais do dia 16 de junho se parecem mais com um aniversário de um velho amigo. São estudiosos e leitores ávidos de James Joyce que se reúnem em pequenos grupos para promover leituras, dramatizações e debates sobre a obra do escritor irlandês ou que levam a idéia a instituições públicas ou privadas.

O pub Finnegan's, em São Paulo, já é casa do Bloomsday paulistano há 18 anos, quando foi pela primeira vez realizado na cidade - promovido pelo poeta e tradutor Haroldo de Campos (1929- 2003). Em 92, o poeta e tradutor Marcelo Tápia passou a fazer parte da organização do evento e, após a morte de Campos, divide agora a tarefa com o filho do poeta, Ivan Pérsio de Arruda Campos. A música irlandesa do grupo Irish Dreams dará início às comemorações, seguida de leituras (inclusive da tradução inédita do episódio “Gado de Sol”, de ULYSSES, de Caetano Galindo, de textos de Joyce, Homero e Haroldo de Campos). Alberto Marsicano e sua cítara encerram as homenagens.

Belo Horizonte reverencia Joyce desde a década de 90, por meio do grupo Oficcina Multimédia, promotor de espetáculos teatrais e de dança. O projeto surgiu após o grupo ter montado uma trilogia teatral sobre a obra do escritor irlandês. A programação para este ano quer fazer relações entre Joyce e o cineasta francês Jean-Luc Godard e o escritor brasileiro Graciliano Ramos (1892-1953), entre outros.
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