Toda prosa
  
01 de maio de 2006
Da Divina comédia à Comédia humana
 
A partir deste mês, quem gosta de livros tem mais outro motivo para ir até as bancas: começa a ser publicada a Coleção EntreClássicos, uma série especial da revista EntreLivros que aborda, em seis números, a vida, a obra e o legado de escritores que representam o epicentro das literaturas de língua italiana, inglesa, portuguesa, espanhola, alemã e francesa - respectivamente, Dante Alighieri, Shakespeare, Camões, Cervantes, Goethe e Balzac.

A estrutura se baseia no conceito goethiano de weltiteratur, ou seja, na idéia de que é possível construir a imagem de uma "literatura mundial" baseada naquelas obras e autores que, a partir de seu contexto histórico e de sua língua, atravessam fronteiras e lançam um olhar sobre o mundo, compondo uma totalidade de perspectivas.

Dentro dessa idéia, cada literatura tem, para usar a expressão de Antonio Candido, seus "momentos decisivos", cujo emblema são aqueles escritores que fazem uma síntese do passado e permitem contemplar uma tradição, tornando-se referência incontornável para o futuro. Assim, uma obra como a Divina comédia, de Dante, cria a própria idéia de uma língua italiana e realiza, no século XIV, uma "unificação literária" que precede em vários séculos a unificação política de seu país. Da mesma maneira, a poesia das tragédias e comédias de Shakespeare será o centro do cânone da literatura de língua inglesa, conforme a formulação do crítico literário Harold Bloom. E o mesmo se aplica aos Lusíadas, de Camões, ao Fausto, de Goethe ou à monumental Comédia humana, de Balzac.
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