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Toda prosa |
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| 01 de fevereiro de 2006 |
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| Descobertas picantes na América |
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A história de que a América foi descoberta enquanto europeus buscavam uma rota para chegar às especiarias no Oriente é consagrada. Pouco se fala, no entanto, sobre as especiarias que, de quebra, os europeus descobriram nas novas terras. Cristóvão Colombo (1451-1506) conquistou o crédito de descobridor do novo continente, apesar de seus equívocos: o pior deles, acreditar ter chegado à Índia por outra rota. "Na sucessão de enganos, chamou os nativos de índios e ao encontrar a pimenta- da-jamaica, que viu em abundância por toda a região, imaginou ter encontrado uma variedade avantajada da pimenta-daíndia. Com sabores do cravo, da canela, da moscada e da pimenta, a frutinha redonda e marrom foi, de qualquer forma, uma deliciosa descoberta. Levada para a Espanha, seca e moída imprimiu seu buquê de perfumes a pratos doces e salgados. Os árabes a misturaram ao cominho, à canela, ao cravo e à pimenta-do-reino e criaram a pimenta síria ou tempero sírio, como chamamos o tempero em pó usado nos quibes."
Outra pimenta abundante nas matas era a vermelha. Um médico que integrava a expedição de 1493, estudou-a e descobriu nela propriedades para aliviar dor de garganta. Seu uso foi mais aproveitado na prevenção de escorbuto a bordo - a doença que mais dizimava os marujos, resultante da carência de vitamina C.
Colombo não teve a oportunidade, em vida, de receber as glórias por ter revelado tão boas pimentas - já que a obsessão dos europeus era a pimenta-negra de Calicute.
O Brasil na rota das especiarias, de Rosa Nepomuceno, págs. 59 e 60. |
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