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Toda prosa |
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| 01 de outubro de 2005 |
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| Destinos danados |
| Com Cinzas do Norte, Milton Hatoum reafirma sua qualidade rara e seduz o leitor pelo mosaico de desencontros vividos por personagens tão úmidos e viscosos quanto a natureza amazônica |
| por Daniel Piza |
[continuação]
Hatoum se destaca entre os escritores brasileiros vivos por esse motivo. Não está preso a um naturalismo cinematográfico, como o dos herdeiros de Rubem Fonseca que empilham citações em ritmo de clip para captar o tal "atomismo urbano"; tampouco se dedica ao beletrismo sertanista, de alguns escritores que tiram de Euclides da Cunha e Guimarães Rosa apenas a superfície lingüística. Também elabora melhor sua descrença da natureza humana do que um Carlos Heitor Cony, recusando ao mesmo tempo a estratégia dita "pós-moderna" de um Bernardo Carvalho ou mesmo Chico Buarque, em que o jogo entre ficção e realidade ocupa o primeiro plano, como se a metalinguagem fosse a única linguagem plausível. Hatoum convida o leitor para dentro de seu universo pulverizado, não joga os fragmentos em sua cara nem lhes dá verniz pedante. Seu texto parece narrar com serenidade, distanciamento, "understatement", acontecimentos que pegam fogo. É sua mensagem de resistência. |
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