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Toda prosa |
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| 01 de outubro de 2005 |
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| Destinos danados |
| Com Cinzas do Norte, Milton Hatoum reafirma sua qualidade rara e seduz o leitor pelo mosaico de desencontros vividos por personagens tão úmidos e viscosos quanto a natureza amazônica |
| por Daniel Piza |
| TRECHO Cinzas do Norte |
"Por que não conversas com as mulheres?", perguntou Jano. "Vão dizer que não gostas delas."
"Essas mulheres... só têm boca para comer e falar leseiras. Estou muito bem ao lado do meu filho."
Jano voltou para a roda dos homens, e escutei uma voz elogiar o novo general-presidente; a mesma voz que recitou um poema em homenagem ao marechal morto: "Um escudeiro do Amazonas".
Mundo deu uma risada ferina: "Esse é o Heródoto. Quando ele se empolga, a festa acaba".
O orador, de terno e gravata, parecia sufocado: esticava o pescoço e soprava, os dedos enfiados no colarinho apertado que nem coleira; depois olhava para os lados a fim de atrair a atenção. Fazia loas ao marechal morto, e agora falava mais alto. Uma mulher se aproximou e beliscou o braço dele.
CINZAS DO NORTE
Milton Hatoum Companhia das Letras
312 págs., R$39 |
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