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Toda prosa |
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| 01 de julho de 2006 |
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| Eles rejeitaram o galardão |
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| Sartre (à esquerda) e José Luandino Vieira; ambos recusaram prêmios literários |
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"Nenhum homem merece ser consagrado em vida", disse Jean-Paul Sartre ao recusar o prêmio Nobel de Literatura, em 1964. Aquela se tornaria a mais famosa (e cara) recusa de galardão da história da literatura, mas não se tratava da primeira e nem da última. Um breve apanhado demonstra que o fenômeno está se tornando freqüente.
Em maio, o angolano José Luandino Vieira recusou o prêmio Camões, no valor de 100 mil euros, alegando "motivos pessoais, íntimos". Como Sartre, Luandino alia à criação literária uma militância política, mas que não constou de sua explicação.
Ainda neste século, dois outros escritores expuseram sim suas razões para recusas: em 2003, o egípcio Sonallah Ibrahim não aceitou prêmio de seu país, em oposição ao governo que "reprime o povo e apóia os Estados Unidos e Israel"; um ano depois, foi o marroquino Ahmed Bouzfour que se manifestou contra o analfabetismo que afeta o país. No mês passado, o austríaco Peter Handke recusou, praticamente forçado, o Heinrich-Heine, pela pressão contra seu nome, por ter ido ao enterro do ex-presidente iugoslavo Slobodan Milosevic
Há também os que recusam defendendo o direito de reclusão, como o francês Julien Gracq, que descartou o Goncourt em 1951, e o português Herberto Helder, que declinou o prêmio Fernando Pessoa em 1994.
Já em terras tupiniquins, os casos não são tão abundantes, apenas desentendimentos com a Academia Brasileira de Letras. Primeiro, o historiador Capistrano de Abreu, recusando, no século XIX o convite a participar dela. Depois, Sérgio Buarque de Holanda, ao fazer votos de nunca fazer parte, como protesto à intrusão de Getúlio Vargas como imortal. Agora, seu filho Chico Buarque se mostra arredio a uma suposta candidatura em respeito ao pai. |
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