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Toda prosa |
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| 01 de maio de 2005 |
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| Encarando de perto o impressionismo |
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Olympia, de Édouard Manet, quadro fundador da modernidade, é objeto de estudo de dois livros publicados recentemente no Brasil. A pintura da vida moderna, de T.J. Clark, debruça-se extensivamente sobre a tela de 1865, inserindo-a num contexto histórico e social da Paris do século XIX, que desembocaria no impressionismo. A cortesã que encara o observador tem atitude e traços que a diferenciam dos nus anteriores. Manet chegou ao resultado mediante um esforço consciente e individual, mas também, argumenta Clark, teve a seu favor um ambiente influenciado por interesses de marchands e da alta burguesia. Uma obra de arte - este é o ponto do livro - não pode ser dissociada do caldo cultural em que foi produzida.
Em Museu movente, Aguinaldo José Gonçalves tangencia o trabalho de Manet, enfocando-o da perspectiva de Marcel Proust, escritor que, pertencendo à geração seguinte à de Manet, impregnou sua narrativa de elementos impressionistas, como fica claro na obra-prima Em busca do tempo perdido. Proust também faz uma crítica oblíqua ao descaso ignorante por Manet por parte da burguesia que lhe foi contemporânea. Um personagem de O caminho de Guermantes, uma duquesa, comenta uma visita ao Louvre: "... passamos pela Olympia de Manet. Agora ninguém mais se espanta com aquilo". |
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