|
 |
|
 |
|
 |
|
 |
|
|
|
 |
Toda prosa |
|
|
| 19 de novembro de 2007 |
 |
|
| Escutar demais |
|
| |
 |
SOCIEDADE DOS AMIGOS DA MÚSICA, VIENA |
 |
| Mozart, na visão de Barbara Krafft, século XVIII |
 |
O ouvido absoluto permite ao seu dono distinguir o tom não apenas de qualquer nota que ouve, como qualquer nota que imagine ou ouça em sua cabeça. A precisão varia, mas se estima que a maioria dos portadores pode identificar mais de 70 tons, cada qual com qualidade exclusiva e característica que o distingue de qualquer nota. Mas o ouvido absoluto não é apenas um dom valioso, a depender, também vira um problema:
“Um dos problemas do ouvido absoluto ocorre por causa da afinação inconstante dos instrumentos musicais. Por exemplo, Mozart, aos sete anos, comparando seu pequeno violino com o de seu amigo Schactner, disse: ‘Se você não alterou a afinação do seu violino desde a última vez que toquei nele, ele está metade de um quarto de tom abaixo do meu’. (...) Uma pessoa sem ouvido absoluto não notaria essa discrepância geral na afinação, mas ela pode ser irritante e até incapacitante para quem o possui”.
Alucinações musicais – Relatos sobre a música e o cérebro, de Oliver Sacks, págs. 126-127 (trad. Laura Teixeira Motta, Companhia das Letras, 352 págs., R$ 49) |
|
|
|
|
|
|
|
|