Toda prosa
  
02 de fevereiro de 2007
Kafka além do adjetivo
 
Kafka de Crumb (Relume Dumará, 176 págs., R$ 38,90)
No centro antigo de Praga é possível fazer um passeio turístico pelos lugares onde viveu Kafka (1883-1924) e comprar souvernirs com seu rosto estampado. Adeptos do consumo fácil também têm à disposição um adjetivo praticamente multiuso - kafkiano -, que pode servir para várias coisas, mesmo para aquelas que nem de longe se relacionam com a obra do autor tcheco. Mas há opções para quem quer se aproximar de Kafka para além do clichê: acaba de chegar às livrarias Kafka de Crumb (Relume Dumará, 176 págs., R$ 38,90), um livrinho introdutório (e o nome em inglês dá de antemão o tom, Introducing Kafka) tão simples quanto sofisticado.

O Crumb do título em português é ninguém menos que Robert Crumb, o cultuado quadrinista underground americano cujo estilo tanto o faz se aproximar de Kafka. Seus desenhos recriam passagens biográficas, contos e novelas. Quem assina a introdução, comentários e posfácio é David Zane Mairowitz, empenhado em ir "além do adjetivo". "É um adjetivo que toma proporções quase míticas em nosso tempo, ligado irrevogavelmente a fantasias de condenação e melancolia, ignorando a intrincada ironia judaica que se esconde no corpo da obra de Kafka", diz. É de Mairowitz um livro introdutório, da mesma série, sobre Albert Camus (1913-1960), ainda não publicado no Brasil.