Toda prosa
  
01 de junho de 2006
Leitura afinada sobre música erudita
Entenda obras e compositores de diversas épocas com a ajuda de livros de história e perfis
por João Batista Natali
Otto Maria Carpeaux (à esq) e Mário de Andrade, pioneiros no país ao escrever sobre música erudita
Tratados sobre música são impressos desde o século XV. Uma boa biblioteca especializada traria centenas de referências essenciais. Com isso, qualquer seleção de alguns poucos títulos em português é uma operação de risco elevado. De qualquer modo, vamos lá. Esse poço de erudição que foi Otto Maria Carpeaux, ensaísta de origem austríaca radicado no Brasil, publicou em 1958 Uma nova história da música, que a Ediouro relançou em 1999. São 410 páginas que situam com muita precisão o longo trajeto de quatro séculos entre Palestrina e Pierre Boulez.

Carpeaux teve acesso a um número maior de partituras que Mário de Andrade, também autor de uma Pequena história da música (minha edição é de 1944) e ensaísta compulsivo. Carpeaux faz paralelos entre escolas e compositores de diferentes períodos, descreve a evolução da harmonia e do uso de instrumentos e, sobretudo, aborda a música como um fato social. Ele ressalta em detalhes a grandeza de Bach. Apesar de um perfume encantador de anacronismo – como porta-voz do modernismo, ele concebia a cultura como uma sucessão de blocos coesos –, é um livro em muitíssimos sentidos invejável.

O maestro Nikolaus Harnoncourt é um nobre austríaco de nome compridíssimo e imensa importância musical. Já nos anos 50 ele foi o precursor de um movimento, próspero também no Reino Unido e na Holanda, de restauração das técnicas de interpretação do barroco. Por meio dele os músicos abandonaram a idéia de “evolução para melhor”, que contaminava o reconhecimento da especificidade dos instrumentos e da afinação praticados entre os séculos XVII e XVIII. Diálogo musical – Monteverdi, Bach e Mozart”, que a Zahar publicou em 1993, é uma belíssima aula sobre a imortalidade de certas partituras e sobre as diferenças históricas nas técnicas de interpretação.

Outro nome importante, desta vez brasileiro. Lauro Machado Coelho lançou em 2000 e em 396 páginas A ópera barroca italiana. Foi o primeiro dos dez volumes já publicados sobre a história da ópera, numa invejável e singular iniciativa editorial com a retaguarda da editora Perspectiva. Nesse primeiro volume, há mais de um século de teatro musicalizado, no país em que ele surgiu como gênero. Vejamos agora Mozart, Beethoven e Wagner. Para cada um deles, um volume confortável e precioso da série Compêndio, publicada em Londres, em 1991, e que a Zahar traduziu em 1996.
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