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Toda prosa |
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| 01 de maio de 2006 |
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| Ligeira, sim; superficial, não |
| Pelo caráter absolutamente original da crônica brasileira, gênero merecia maior reconhecimento |
| por Luiz Ruffato |
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| Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Luis Fernando Verissimo: três escritores que construíram seu próprio estilo no gênero |
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Ainda hoje há certa resistência em compreender a crônica como gênero literário específico. Esse equívoco talvez possa estar assentado num preconceito e num estereótipo. O preconceito advém de sua dupla origem plebéia: nascida nas páginas dos jornais, veículo utilitário e descartável, é cultivada em troca de um salário no final do mês. Nada mais abominável para aqueles que imaginam um ofício aristocrático para as letras... Já o estereótipo é aquele que reduz a crônica a "um comentário ligeiro a respeito de assuntos cotidianos, vazado numa linguagem simples e direta", como se "ligeiro" fosse sinônimo de "superficial", "assuntos cotidianos" fossem "irrelevantes" e "linguagem simples e direta" equivalesse a "linguagem pobre e reducionista".
No entanto, pelo caráter absolutamente original da crônica brasileira, que em seus melhores cultores alcança excelência de estilo e força de transcendência, deveria ser-lhe assegurado um lugar mais digno nos compêndios de literatura brasileira, já que, quando estudada, encontra-se relegada a rodapés ou apêndices secundários. Isso acaba criando situações extravagantes, como os casos de Rubem Braga e Fernando Sabino, entre outros, contrabandeados ambos como ficcionistas menores, quando são de fato cronistas maiores. Essa camisa-de-força teórica deveria ser encarada pelos críticos como um desafio.
Talvez a razão esteja, mais uma vez, com os leitores que, ignorando essas questões, mantêm uma relação apaixonada com os cronistas - basta acompanhar o fenômeno em que se transformou Luis Fernando Verissimo, cujas recolhas de crônicas sempre alcançam o topo dos livros mais vendidos. Também se pode auscultar o movimento editorial, que cada vez mais tem cedido espaço aos livros de crônicas - a Editora Global, por exemplo, mantém, desde 2003, uma coleção exclusivamente dedicada ao gênero, hoje com 17 autores, que vão desde campeões de venda, como José de Alencar, Machado de Assis, Cecília Meireles e Manuel Bandeira, até autores como Roberto Drummond, conhecido como cronista apenas no âmbito de Minas Gerais. Ou pode-se ainda observar a permanência dos eternos best-sellers, além de Braga e Sabino, Paulo Mendes Campos, Nelson Rodrigues, Mário de Andrade, Raquel de Queiroz. |
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