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Toda prosa |
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| 03 de janeiro de 2008 |
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| Luxo íntimo |
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Galeria Nacional da Escócia, Edimburgo |
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| Rousseau, em tela de Allan Ramsay, 1766 |
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No século XVIII, o uso da chamada roupa-branca, ou lingerie, era indicador social. O filósofo suíço Jean-Jacques Rousseau conta, por exemplo, como o roubo de sua roupa-branca – “que era bonita e em quantidade, remanescente de meus trajes de Veneza, e pela qual eu tinha uma afeição particular” – marcou sua mudança de status. Na época, vivia como escritor, mas não queria desistir de suas luxuosas roupas-brancas:
“À força de fazê-la [roupa-branca] um objeto de asseio, eu fizera dela um objeto de luxo, que não me deixava de ser custoso. Alguém me fez o bom ofício de me libertar dessa servidão. (...) Roubaram tudo, além das minhas 42 camisas de belos tecidos, que ficavam no fundo do meu guarda-roupa no qual eu colocava a roupa-branca. (...) Essa aventura me curou da paixão pela bela roupa-branca e, desde então passei a usar roupas-brancas comuns, que combinavam mais com o resto dos meus trajes”.
A cultura das aparências – Uma história da indumentária (séculos XVII-XVIII), de Daniel Roche, págs. 167-168 (trad. Assef Kfouri, Senac, 528 págs., R$ 82). |
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