Toda prosa
  
05 de outubro de 2007
Nababos da ópera
 
© DENIS TANGNEY/ISTOCKPHOTO
Veneza, centro de ópera nos séculos XVII e XVIII
Nos séculos XVII e XVIII, os espectadores de ópera que freqüentavam os teatros venezianos não faziam a menor cerimônia para protestar contra o atraso dos espetáculos. Eram comuns urros, assobios e xingamentos. Existiam também aqueles que não paravam de conversar ou namoravam durante a apresentação. No palco, o comportamento não era melhor:

“[Os cantores] desprezavam os horários, entrando em cena com atrasos de até uma hora, interrompiam seu canto inesperadamente e saíam do palco para tomar café ou cheirar rapé, tagarelavam com os contra-regras e diziam gracejos às mulheres. Se não achavam seu pagamento suficiente, paravam de cantar justamente no momento mais esperado e iam embora do teatro. Ganhavam somas fabulosas, viviam como nababos, adulados por cardeais, príncipes e soberanos”.

A invenção da ópera, de Sergio Casoy, pág. 113 (Algol, 140 págs., R$ 48)