Toda prosa
  
01 de novembro de 2006
Nostalgia de Bandeira
 
Na foto de Verger, o casario colonial do Pelourinho que impressionou Bandeira
Há 70 anos, o poeta Manuel Bandeira, em visita a diversas cidades brasileiras, observava as belezas coloniais que ainda se preservavam e lamentava o que a urbanização - principalmente na então capital federal, o Rio de Janeiro - destruía.

Ante os contrasensos do desenvolvimento, criticava: "Há muita gente ingênua para quem progresso urbano é avenida e arranha-céu. Modernidade - asfalto e cimento armado". Esses escritos sobre as cidades, inicialmente publicados na imprensa da época, estão reunidos no livro Crônicas da província do Brasil (1937), com o qual a Cosac Naify inicia o tão esperado relançamento da obra em prosa do poeta. A edição tem organização, posfácio e notas do pesquisador Júlio Castañon Guimarães; pequena seleção iconográfica; e três capas diferentes, assinadas por Pierre Verger, Marcel Gautherot e Alice Brill.

Na Bahia, o poeta admirava os velhos sobradões e as igrejas barrocas. Porém não deixou de notar o "mau gosto das construções recentes": "Não se pensem que não tenham feito tolices na Bahia. Tanto a administração pública como os particulares."

No seu Recife, acusava o "progressismo apressado, sovina e tapeador" de ter desfigurado o litoral.

Bandeira reclamava da mania do neocolonial. E dizia que os arquitetos novos estavam "fazendo bonitinho, engraçadinho, enfeitadinho, quando o espírito das velhas casas brasileiras era bem o contrário disso".

Duas coletâneas de crônicas devem ser lançados em seguida pela Cosac Naify: Flauta de papel (1957) e Andorinha, andorinha (1966). No próximo ano, a editora também planeja publicar volumes de crônicas de Bandeira inéditas em livro.