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Toda prosa |
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| 01 de outubro de 2005 |
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| O código Opus Dei |
| Livro de ex-membros revela métodos medievais da instituição católica |
| por Oscar Pilagallo |
Em O código Da Vinci, Dan Brown pode ter carregado um pouco nas tintas ao descrever, numa das várias cutucadas que dá na Igreja Católica, os métodos do Opus Dei. O quadro que emerge da ficção, porém, tem nítida correspondência com o mundo real, ao contrário das passagens em que se verificaram "erros" factuais. A relação pode ser estabelecida a partir da leitura de Opus Dei - os bastidores, que chega às livrarias nesta semana. O livro foi escrito por três brasileiros que, depois de atingirem o auge da carreira dentro da instituição, decidiram dela se afastar, mantendo-se entretanto no campo da fé cristã.
É dessa perspectiva que alertam pais e jovens para os perigos da lavagem cerebral a que os membros do Opus Dei são submetidos. Desde a infância, os candidatos a desenvolver a "vocação" são expostos a um discurso que pouco difere dos ensinamentos católicos e só mais tarde, depois de cooptados, percebem o universo medieval em que mergulharam.
Um dos autores, Marcio Fernandes da Silva, que dos 10 aos 18 anos de idade esteve associado ao Opus Dei, conta o que aconteceu ao ser admitido: "Ganhei o meu kit de autoflagelação". O humor da formulação não atenua o relato estarrecedor. Os meninos recebem de um superior instrumentos como o "cilício". Trata-se de "um cordão com pontas de ferro usado por debaixo da roupa, sobre uma das coxas, durante algumas horas por dia, como mortificação corporal obrigatória". Isso não é tudo. Há também as "disciplinas", uma espécie de chicote de cordas usado uma vez por semana numa sessão de autoflagelo.
O Opus Dei é uma prelazia pessoal, figura jurídica prevista no Código de Direito Canônico. Tem mais do que o respaldo da Igreja Católica. Josemaría Escrivá, que fundou a instituição em 1928, foi canonizado pelo papa João Paulo II em 2002, quase trinta anos após sua morte. Foi uma decisão polêmica. Afinal, Escrivá, um religioso espanhol, tinha boas relações com a ditadura franquista, da qual se aproveitou para infiltrar simpatizantes no aparelho do Estado, a ponto de o Ministério da Educação da Espanha ter sido apelidado de "Monastério da Educação". |
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 | Oscar Pilagallo é jornalista e autor de A História do Brasil no século 20 (em cinco volumes), O Brasil em sobressalto e A aventura do dinheiro, todos pela Publifolha. |
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