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Toda prosa |
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| 01 de outubro de 2005 |
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| O código Opus Dei |
| Livro de ex-membros revela métodos medievais da instituição católica |
| por Oscar Pilagallo |
[continuação]
As descrições em Os bastidores fazem lembrar uma seita da extrema-direita. Os membros são classificados como numerários e supernumerários, o que soa enigmático para os não-iniciados. Os numerários são a elite da instituição, em geral moram em casas do Opus Dei, observam o celibato, fazem votos de pobreza e devem obediência irrestrita aos superiores. Os supernumerários moram em suas próprias casas. Constituem família e têm patrimônio. Os filhos são orientados a se tornar membros da prelazia e o dinheiro é em parte canalizado para a instituição.
O Opus Dei chegou ao Brasil no final dos anos 50 e, desde então, criou uma teia que aos poucos vai se espalhando pela sociedade. A instituição mantém uma escola em São Paulo, que serve de celeiro de "vocações", e uma editora, responsável pela publicação de livros afinados com as idéias de Escrivá.
A instituição não resiste ao mais superficial confronto entre seu discurso e sua prática. Enquanto porta-vozes da Opus Dei escrevem na grande imprensa a favor da liberdade de expressão, os membros são obrigados a aceitar um rigoroso e elaborado sistema de censura.
O índex é algo tão anacrônico que não parece crível. Os livros recebem uma qualificação numerada de um a seis, como acontecia com os filmes na Espanha nos tempos do general Franco. No primeiro nível estão as obras sem inconvenientes, que podem ser lidas por todos. No nível dois, ficam os livros que requerem "boa formação doutrinal" do leitor. No três, estão os livros inconvenientes, que requerem "espírito crítico" (para se ter uma idéia, entre esses livros está O alienista, de Machado de Assis). Nos níveis quatro e cinco estão, respectivamente, aquelas obras que o leitor precisa de um motivo forte para ler e as proibidas internamente. No último nível, estão os livros sujeitos a "proibição moral geral". Estão aí não apenas os romances do ateu José Saramago, mas também a obra de Descartes. Não sei se eles pensam, mas existem. |
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 | Oscar Pilagallo é jornalista e autor de A História do Brasil no século 20 (em cinco volumes), O Brasil em sobressalto e A aventura do dinheiro, todos pela Publifolha. |
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