Toda prosa
  
01 de outubro de 2005
O direito de errar
Comportamento problemático do adolescente não deve ser visto como indesejável, alerta neurocientista
 
"São os hormônios." Essa é explicação para tudo o que ocorre na adolescência -- as mudanças abruptas de humor, o intenso interesse pelo sexo, a estabanação, as atitudes inconseqüentes. "São os hormônios", repetem muitos adultos, cheios de autoridade. E eles estão errados. Se estivessem certos, bastaria um remédio para controlar os hormônios, e todos os excessos seriam contidos. Só haveria uma contra-indicação: o adolescente continuaria uma criança perfeitamente normal.

Os hormônios são essenciais, claro, mas eles apenas executam um programa de transformação comandado pelo cérebro. O próprio cérebro experimenta uma inevitável transição, até atingir seu tamanho definitivo. Lá dentro, há uma pequena estrutura, o hipotálamo, que é responsável por ajustes fisiológicos do corpo, inclusive os ajustes hormonais. Quem explica tudo isso é a neurocientista Suzana Herculano-Houzel, no livro O cérebro em transformação, que está lançando

A obra é muito útil, sobretudo para os pais. Pode ser lida em dois níveis, o científico e o prático. Nos segmentos mais técnicos, por assim dizer, a autora descreve as transformações do cérebro durante a adolescência. Nas conclusões de cada capítulo, indica as conseqüências dessas mudanças e o que se deve (e não se deve) fazer para lidar com as muitas questões típicas da idade.

A adolescência é uma etapa da vida que tem sido antecipada ao longo dos anos. As meninas, por exemplo, menstruavam pela primeira vez aos 17 anos na Europa de meados do século XIX. No Brasil, a idade média tinha caído para 12,5 anos em 1970. Em parte, isso se deve à melhora da alimentação e ao maior nível de gordura no organismo (tanto que meninas ligeiramente obesas tendem a menstruar mais cedo).
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