Caro leitor, se você algum dia hesitou em relação ao tom que deveria adotar num e-mail, leia esta carta. Você verá que não estava sozinho naquele momento de dúvida. Um recadinho de bate-pronto por e-mail todos damos conta várias vezes por dia, mas quando o assunto exige alguma elaboração muitos de nós nos perdemos. O que fazer?
Não é uma questão menor. Pelo menos, vários pensadores e filósofos gastaram tinta e tutano refletindo sobre "a arte de escrever cartas". O que vai entre aspas é o nome de livrinho de Emerson Tin que a Unicamp está lançando. "Livrinho" é elogio. Com menos de 200 páginas, o autor mostra que aprendeu com os mestres citados no livro que um dos segredos da boa carta (e de resto de qualquer discurso) é a concisão, a brevidade.
Tin não cita Gustave Flaubert. O autor francês que passou a vida atrás da palavra exata está fora do escopo dele. Mas, a propósito de cartas, lembrei de Flaubert que certa vez se desculpou com um amigo por ter lhe enviado uma longa carta. "Não tive tempo de escrever uma curta", anotou no PS. Faz sentido.
O livro de Tin é erudito, puxa um fio histórico que tem origem na Antigüidade. É interessante por demonstrar que a nossa dificuldade em mandar um e-mail bacana hoje tem equivalente nos tempos dos pergaminhos e afins. Apesar do título, o livro não é um manual. Isso não impede que se possa dele extrair uma lista do que se deve (e não se deve) fazer ao escrever uma carta. |