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HELOÍSA SEIXAS: DIVULGAÇÃO/ CRIS ISIDORO; MINDLIN: DIVULGAÇÃO / FOTO DE ADRIANA VICHI E DANILO TANAKA; RUY CASTRO: DIVULGAÇÃO/BEL PEDROSA |
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| No sentido horário, Heloísa Seixas, Ruy Castro e José Mindlin, que indicaram seu livro predileto |
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Não é fácil, para um leitor inveterado de mais de 90 anos, que desde os tempos de criança é apaixonado por livros, escolher aquele que mais marcou sua vida. Esse desafio foi sugerido a José Mindlin. “Li, durante setenta e oito anos, uma média de cem livros por ano, e é fácil imaginar a dificuldade em que me encontro”, ressalvou o bibliófilo José Mindlin, antes de revelar sua resolução: foi Pai Goriot, de Balzac.
Ele explica suas razões na coletânea Dez livros que abalaram meu mundo, recém- lançada pela Casa da Palavra, da qual participam outras oito importantes figuras do cenário literário brasileiro e uma internacional (além dos organizadores do livro, Martha Ribas e Julio Silveira). Cada um destacando a obra definitiva em sua vida e dando a ver seus irrefutáveis porquês.
Não são poucos os ensaios – que mais se definiriam como relatos despretensiosos, dada a leveza da linguagem e a óbvia pessoalidade dos argumentos – que acabam por remeter à infância, como se pode verificar na escolha de Ruy Castro pelo primeiro livro que possuiu, Alice no país das maravilhas, e de Heloísa Seixas por O primo Basílio – cuja personagem Luísa, conta ela, foi uma de suas tantas amigas imaginárias de infância.
Nesse embalo, vale destaque o do mexicano David Toscana. Para justificar sua escolha de A metamorfose, de Franz Kafka, ele relata como imaginou o livro ao ouvir, de um colega, que se tratava da história de um homem tornado inseto: “O homem recebia uma dose de radiação numa experiência nuclear que o transformava num enorme louva-a-deus que saía à rua devorando mulheres, ou as atacava enquanto dormiam. As vítimas, é óbvio, eram sempre bonitas e gritavam (...) Um livro maravilhoso, sem dúvida”. |