Toda prosa
  
13 de novembro de 2007
O pacto para Pelé
 
DIVULGAÇÃO
Pelé na Copa do Mundo de 70, alvo de disputa dos irmãos Dassler
Na Alemanha dos anos 20, os irmãos Adolf e Rudolf Dassler fundam uma fábrica de calçados esportivos que logo faz sucesso. Em 1948, os dois brigam e rompem a sociedade: um cria, então, a Adidas, o outro, a Puma. Nas décadas seguintes, as duas marcas rivalizariam não somente no mundo dos calçados como também no dos esportes. Com a disputa dos fabricantes, desenvolve-se o marketing esportivo. Jogadores passam a ser alvo de propostas de patrocínio cada vez mais polpudas. Na Copa de 70, os inimigos descobriram o benefício do acordo de cavalheiros:

“Antes do início da competição, Horst e Armin [Dassler, herdeiros de cada uma das marcas] fizeram um acordo surpreendente. Os arquiinimigos decidiram em conjunto que um jogador estaria fora de cogitação para ambas as empresas: a disputa por Pelé, o excepcional jogador brasileiro, provocaria uma guerra de propostas à qual nenhuma das duas poderia sobreviver. Eles chamaram o acordo de ‘Pacto Pelé’. (...) Durante a preparação para a Copa de 1970, a Puma contratou um destemido jornalista alemão para se infiltrar na seleção brasileira. Hans Henningsen cobria o futebol brasileiro havia muito tempo para uma série de jornais internacionais. Era comum que tomasse cerveja com os jogadores, e ele poderia facilmente arrebanhar todos para a Puma. Contudo, para sua surpresa, Hans recebeu instruções de ignorar Pelé”.

Invasão de campo – Adidas, Puma e os bastidores do esporte moderno, de Barbara Smit, págs. 153-154 (trad. Cristiano Botafogo, Zahar, 360 págs., R$ 47)