Toda prosa
  
04 de janeiro de 2008
O passado de São Paulo
 
GUILHERME GAENSLY/ARQUIVO DO JORNAL O ESTADO DE S. PAULO
São Paulo, em 1910
A capital paulista, diferentemente de outras tantas cidades brasileiras que também surgiram no período colonial, começou a adquirir sua configuração atual nas últimas décadas do século XIX, constata Raquel Glezer, historiadora dedicada aos estudos sobre São Paulo. Muito do que se considera marco da cidade, diz, é mais recente do que se pensa:

“Em sua longa existência – 453 anos, pois o colégio dos jesuítas (que foi o núcleo original) data de 1554 – foi vila por cerca de 150 anos, e cidade, sem maiores referências, por outros quase 180, sempre com pequena população e pouca expressão econômica e política. Hoje, as descrições da cidade exaltam o cosmopolitismo, a diversidade que a compõe em todos os seus aspectos e chegam mesmo a citar ufanisticamente o passado glorioso como uma espécie de explicação do presente. Mas o presente é criação e não herança recebida”.
Chão de terra e outros ensaios sobre São Paulo, de Raquel Glezer, págs. 27-28 (Alameda, 192 págs., R$ 32)