Toda prosa
  
14 de novembro de 2007
O Poe moderno demais
 
COLEÇÃO PARTICULAR
Auto-retrato de Manet, que ilustrou livro de Poe
O poeta francês Stéphane Mallarmé (1842-1898) se apaixonou pela obra de Edgar Allan Poe assim que a conheceu. Levou quase uma década dedicado à tarefa de traduzir os versos do americano, publicados esparsamente na imprensa francesa e, por fim, em livro numa edição que teve desenhos, retratos e vinhetas de Édouard Manet no final do século XIX. A tradução de Poe feita por Mallarmé enfrentou certa resistência de editores:

“Consultado quanto à possibilidade de publicar essa bela obra ilustrada, o editor Lemerre, depois de a ler, declara a tradução ‘absolutamente obscura’. (...) Foi somente depois do fracasso de outras tentativas (...) que o tradutor de Poe chegou finalmente ao editor Richard Lesclide, (...) um dos primeiros, na França, a se dedicar à feitura de livros de arte. No dia 2 de junho de 1875 Lesclide entrega ao público seu O corvo, com 200 exemplares. Tradução de Stéphane Mallarmé. (...) O livro é ignorado pelo público: a tradução em prosa parece literal demais a ouvidos habituados à dicção tradicional do verso francês; e as ilustrações de Manet, para os apreciadores do romântico Poe de Gustave Doré, chocam pela modernidade”.

Os anos de exílio do jovem Mallarmé, de Joaquim Brasil Fontes, pág. 101 (Ateliê, 176 págs., R$ 29)