Toda prosa
  
01 de setembro de 2006
O que vale sublinhar
 
CINEMA- Blockbuster iraniano
Iranianos fazem fila em cinema no centro de Teerã para ver comédia recordista de bilheteria
Para o público brasileiro em geral, cinema iraniano é sinônimo de filme de autor. A crítica Alessandra Meleiro conta como foi assistir a um filme de entretenimento em Teerã e, principalmente, presenciar o comportamento da platéia:

Não é exclusividade do Irã o fato de haver uma dicotomia entre os blockbusters e os filmes de autor. Tive uma idéia do que seria o filme comercial (que cobre diversos gêneros, como filmes de guerra, comédias, thrillers etc.) em um passeio de sexta-feira na Jomhuri-ye Eslami Avenue, lotada de cinemas, em Teerã. Vi um filme de ação iraniano com diálogos em farsi, o que não me permite emitir uma opinião a respeito do conteúdo, mas notei pouca diferença estética se o compararmos com os outros blockbusters ocidentais. Acredito que deva haver bons filmes populares (para um público que aprecie filmes de entretenimento ou que deseje conhecer mais nuances culturais do país), mas o acesso ainda é limitado pela falta de distribuição no mercado internacional. Parte dessa falta de distribuição pode ser explicada pelas fortes cores locais dos filmes de entretenimento, que funcionam principalmente para um público local. Surpresa ao estar diante de um filme iraniano muito distante daqueles filmes de autor a que tinha assistido no Brasil e na Espanha, a real atração para mim não estava na tela e sim na reação da platéia que exteriorizava verbal e fisicamente seus sentimentos pelos dramas vividos pelos personagens.

" O novo cinema iraniano - arte e intervenção social, de Alessandra Meleiro, pág. 56
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