Toda prosa
  
06 de setembro de 2007
O tamanho de um massacre
 
©OTONESQUE/STOCK.XCHNG
Vista atual de Beirute, Líbano, local de conflitos entre árabes e judeus
Correspondente no Oriente Médio para o jornal britânico The Independent, Robert Fisk acompanhou durante décadas os conflitos na região. Em 18 de setembro de 1982, o jornalista foi um dos primeiros a entrar no campo de refugiados palestinos de Chatila, no Líbano, onde milicianos cristãos – “que Israel deixara entrar nos campos para ‘desentocar terroristas’” – assassinaram friamente centenas de pessoas, a maioria mulheres, crianças e idosos. Apesar das fotografias e dos relatos dos repórteres, Fisk presenciou, indignado, na sede da Associated Press (AP) em Beirute, diretores discutindo se o que havia acontecido era ou não um massacre:

“Se tropas sírias tivessem entrado em Israel, cercado um kibutz e permitido que seus aliados palestinos chacinassem os moradores judeus, nenhuma agência de notícias ocidental iria desperdiçar tempo debatendo se isso devia ou não ser chamado de massacre.

Mas, em Beirute, as vítimas eram palestinas. Os culpados certamente eram milicianos cristãos – de que exata unidade ainda não tínhamos certeza, mas os israelenses também eram culpados. Se os israelenses não tinham tomado parte nos assassinatos, tinham certamente mandado a milícia para o campo. (...)

Tudo isso já sabíamos no fim da tarde de sábado, mas Hindy [que dirigia a AP no dia] ainda debatia se era um massacre”.

Pobre nação – As guerras do Líbano no século XX, de Robert Fisk, pág. 503 (Record, 966 págs., R$ 88)