Toda prosa
  
01 de setembro de 2005
Os argentinos são uns macacos
Livro destrincha mitos, manias e milongas de nossos vizinhos
 
Já foi o tempo em que os argentinos, quando queriam ofender um brasileiro, chamavam-no de “macaquito”. Hoje a expressão anda em desuso e, se às vezes escapa de uma boca preconceituosa, depõe contra o agressor, não contra o agredido.

Em tempos politicamente corretos, a rivalidade entre os vizinhos se expressa de maneira civilizada, mesmo quando o assunto é futebol. Os argentinos, por exemplo, já admitem que Pelé é o rei do futebol, não Maradona. Isso porque, sendo o futebol uma religião na Argentina, Maradona é Deus. (“Deus, fique na terra”, dizia um cartaz em frente à clínica em que o ex-jogador esteve às portas da morte no ano passado.)

Esse clima de distensão, de mútua admiração, permite que finalmente se diga com todas as letras: esses argentinos são uns macacos! Diria mais: são muito macacos! E as argentinas também são macacas! Algumas são até gorilas! Tudo, é claro, no bom sentido.

Macaco, além do animal, quer dizer lindo. Em espanhol, “mono” e “mona”. Gorila, além do animal, quer dizer avesso aos peronistas, aquela corrente política herdeira do caudilho contemporâneo de Getúlio Vargas. Em espanhol, escreve-se do mesmo jeito.
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