Toda prosa
  
04 de setembro de 2007
Os inéditos de Zé Lins
 
No começo da década de 20, o então jovem José Lins do Rego escreveu artigos e crônicas para o jornal Diário do Estado, em Pernambuco. Depois, nos anos 30, já em Alagoas, continuou a colaborar com jornais locais. Estes textos, que revelam a gênese da formação intelectual e criativa do autor, foram reunidos pela primeira em livro na coletânea organizada por César Braga-Pinto, professor de literatura brasileira e comparada da Universidade de Rutgers, nos Estados Unidos. Ligeiros traços será lançado no final deste mês pela José Olympio. Na EntreLivros deste mês, você encontra a reportagem sobre os 50 anos de morte do autor. Aqui você pode conferir uma das crônicas de Ligeiros traços.

Zé Pereira, deus barulho

Até que enfim, meu caro Zé Pereira, tens a tua liberdade, poderás gritar, subir em loucuras, ascender em amor, inteiramente incivilizado, homem e sincero. E mesmo eu te julgo uma necessidade, uma grande necessidade da vida. Porque simbolizas com todo o teu desmantelo e barulho o homem ignoto que vive a querer saltar dentro de nós.

Temos um punhado de temperamentos que vibram alternativamente uns sobre os outros. Hoje somos o imenso Zé Pereira de zabumba, desfeito em alegria, despedaçado em ruído.

E que seria da vida sem esta criatura profundamente despreocupada?
Se os gritos, as sandices, as gargalhadas não lhe tornassem mais variada, e mais vida!
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