Toda prosa
  
06 de junho de 2007
Os quatro “Cs” de Costello
 
JOSEPH CONRAD SOCIETY
Conrad, um dos ídolos de Elizabeth Costello, a escritora fictícia de Coetzee
A escritora Elizabeth Costello lançou seu primeiro livro em 1955 sonhando figurar, na estante da biblioteca do Museu Britânico, ao lado dos quatro “Cs” da literatura de língua inglesa, “os grandes”: Carlyle, Chaucer, Coleridge e Conrad. Acabou ficando mais perto de Marie Corelli, escritora do século XIX bastante lida à época, mas desprezada pelos críticos.

Costello, personagem principal do livro homônimo de J. M. Coetzee – uma das estrelas da Flip no próximo mês –, já é uma autora consagrada e envelhecida quando começa a narrativa, na qual o peso da fama cobra dela seu preço – também na forma de palestras, prêmios e entrevistas no mundo inteiro –, peso esse de que se viram livres os quatro “Cs”, apesar do lugar cativo que ocupam nas estantes.

Chaucer (c. 1343-1400) é apontado por alguns críticos como o pai da literatura inglesa. Coleridge (1772-1834) fundou, com William Wordsworth, o movimento romântico no país. O historiador e ensaísta Carlyle (1795-1881) consta entre as principais vozes da era vitoriana, auge do Império Britânico. Conrad (1857-1924) antecipou alguns dos traços marcantes da literatura moderna.

Dos quatro autores, apenas Conrad, cuja obra mais conhecida é O coração das trevas, pode ser encontrado, hoje, em edições brasileiras. Elizabeth Costello, o livro de Coetzee, também.