Toda prosa
  
05 de março de 2007
Poe à Sherlock
 
O escritor americano Edgar Allan Poe (1809-1849), reverenciado como criador ou inspirador de diversos gêneros literários, entre os quais o de mistério, o detetivesco e o gótico, retorna ao mundo da ficção. Na pena de três escritores de língua inglesa, o criador de clássicos como o conto "A queda da casa de Usher" e o poema "O corvo" é empurrado através do limiar que separa os autores de suas criaturas e transforma-se, ele próprio, em personagem.

Ao contrário do ficcionista Poe, que instilava em seus leitores o medo e o fascínio - e que apenas de vez em quando, e aparentemente, apaziguava os espíritos deixados em suspense -, o personagem Poe trata, agora, de resolver mistérios.

Em O pálido olho azul (2007), de Louis Bayard, que sai pela Planeta, o jovem cadete de West Point chamado Edgar Allan Poe contribui com seus poderes sherlockianos para desvendar um suposto homicídio. Já em O menino americano (2007), de Andrew Taylor, que a Suma da Letras publica, e em The Poe Shadow (2006), de Matthew Pearl, ainda não traduzido no país, apresentam-se narrativas que prometem aclarar algumas das zonas nebulosas envolvendo a biografia do escritor. No primeiro, descreve-se a passagem do menino Poe pela Inglaterra (o escritor realmente morou no país europeu entre 1815 e 1820). No segundo, resolve-se o mistério referente à morte de Poe. "Nevermore".