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Toda prosa |
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| 01 de agosto de 2006 |
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| Poesia ou suicídio |
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A jornalista norueguesa Asne Seierstad retrata o cotidiano afegão a partir da história de Sultan Khan, um livreiro que por mais de 20 anos enfrentou autoridades para divulgar livros em Cabul. Asne conta também a história de um poeta que morreu por causa de um livro, ou melhor, por tornar escrito os versos das afegãs:
“No Afeganistão, mulher apaixonada é tabu. É proibido pelos conceitos de honra rigorosos do clã e pelos mulás. Os jovens não têm o direito de se encontrar para amar, não têm o direito de escolher. Amor tem pouco a ver com casamento, ao contrário, pode ser um grave crime, castigado com a morte. Pessoas indisciplinadas são mortas a sangue-frio. Caso apenas um dos dois tenha de ser castigado com a morte, invariavelmente é a mulher. Mulheres jovens são, antes de mais nada, um objeto de troca e venda. Um casamento é um contrato entre famílias ou dentro de uma família. A vantagem que o casamento pode ter para o clã é o que determina tudo – sentimentos raramente são levados em consideração. Durante séculos, as mulheres afegãs têm suportado a injustiça cometida contra elas. Mas em canções e poemas as próprias mulheres dão seu testemunho. São canções para ninguém ouvir, e até o eco permanece nas montanhas ou no deserto. Elas protestam ‘se suicidando ou cantando’, escreveu o poeta afegão Sayed Bahoudin Majrouch num livro de poemas das próprias mulheres pashtun. Ele reuniu os poemas com a ajuda da cunhada. Majrouch foi assassinado por fundamentalistas em Peshawar, em 1988.”
O livreiro de Cabul, de Asne Seierstad; págs. 55-56 |
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