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Toda prosa |
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| 01 de novembro de 2006 |
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| Que país é este, Stanislaw? É o país do Febeapá, Millôr |
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Recém-relançados, Febeapá (Agir, 40 Febeapá 400 págs., R$ 49), de Stanislaw Ponte Preta, e Que país é este? (Desiderata, 144 págs., R$ 32), de Millôr Fernandes, são livros que conversam. Entre si e com o leitor. Conversam sobre um país que não existe mais: aquele sob a ditadura militar. Conversam também sobre um país que ainda está aí: este que não desconhece a corrupção e a hipocrisia.
Se o país de Stanislaw e Millôr é o mesmo, os estilos são diferentes. Stanislaw, alter-ego de Sérgio Porto, ri do poder com o seu Festival de Besteiras que Assola o País, o Febeapá, que durou dois anos, de 1966 até ser interrompido pela morte do autor, em 1968. O livro, com ilustrações originais de Jaguar, é uma reunião de histórias divertidas, como esta: “Era o IV Centenário do Rio e, apesar da penúria, o governo da Guanabara ia oferecer à plebe ignara o maior bolo do mundo. Sugestão do poeta Carlos Drummond de Andrade, quando soube que o bolo ia ter 5 metros de altura, 250 quilos de açúcar, 4 mil ovos e 12 litros de rum: ‘Bota mais rum’”.
Millôr tem menos histórias e mais frases. Às vezes não é nem uma frase, é uma letra trocada: “Brasil, país do faturo”. Publicado originalmente em 1972, Que país é este? às vezes pede ao leitor que se transporte para a época: “Comunismo é uma religião igualzinha às outras. Para quem acredita, não precisa explicação. Para quem não acredita, não adiante explicação.” Outras tiradas são atemporais, como esta: “Todo homem é comprável, sobretudo os que não se vendem por dinheiro”. Pensando bem, os livros não conversam. Eles batem papo, “uma invenção carioca”, como defende Millôr. |
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