Toda prosa
  
01 de novembro de 2005
Seja inteligente: jogue videogame
Livro desafia consenso de que jogos eletrônicos são prejudiciais
por Oscar Pilagallo
Se você é daqueles que sentia alguma culpa depois de passar horas em frente a um videogame, relaxe: esse vício tão condenado pelo senso comum o está tornando mais inteligente. É o que diz Steven Johnson, um escritor americano com vários livros publicados na área de tecnologia e colaborador da revista eletrônica Slate, uma das mais prestigiadas do gênero.

Confesso que abri com ceticismo o livro de Johnson, intitulado Surpreendente! (o título original, "Tudo o que é ruim é bom para você", é mais provocativo). Sem nunca ter entrado no mundo do jogo eletrônico, partilhava da opinião consensual dos não-iniciados. A consistência dos argumentos de Johnson, porém, obriga a maioria em que me incluo a refletir sobre as influências dessa forma popular de diversão.

Johnson gosta de nadar contra a corrente. Em meio à crítica generalizada de que a cultura de massa apresenta nível cada vez mais baixo, ele a defende, dizendo que nos últimos 30 anos ficou mais complexa e intelectualmente estimulante. Além dos jogos, Johnson fala da televisão americana, mas as conclusões podem ser aplicadas à media da programação exibida no Brasil.

Steve Johnson acredita que as pessoas resistem em identificar as vantagens dos videogames porque usam ferramenta de análise inadequada. Apoiado num conceito de Marshall McLuhan, o canadense que cunhou a expressão "aldeia global", ele afirma: "O problema é que ao julgar novos sistemas culturais, a presença do passado recente inevitavelmente influencia a visão da forma emergente, realçando as falhas e imperfeições. Historicamente, os jogos sofreram essa síndrome, principalmente porque têm sido comparados com as convenções mais antigas da leitura".
1 2 3 4 »
Oscar Pilagallo é jornalista e autor de A História do Brasil no século 20 (em cinco volumes), O Brasil em sobressalto e A aventura do dinheiro, todos pela Publifolha.