Toda prosa
  
20 de agosto de 2007
Seria Tintin racista?
História da mais famosa personagem de Hergé que se passa no Congo é vista como preconceituosa
por Izabela Moi
Reprodução
No mesmo ano em que o centenário do artista belga Hergé (1907-1983) é celebrado, “Tintin”, o personagem que o fez famoso no mundo inteiro, é acusado de racista e se torna foco de debate nos Estados Unidos, Europa, Austrália e África do Sul.

No final de julho, o segundo exemplar da série de 23 aventuras do jovem jornalista ao redor do mundo, “Tintin no Congo”, saiu das prateleiras da seção de infantis e migrou para a área destinada a adultos nas livrarias depois que a obra foi acusada pela Comissão pela Igualdade Racial (CRE) do Reino Unido. O volume, de 1931, conta a história na então colônia belga em fim dos anos 20. E ali, claro, o personagem central, loiro de olhos azuis, vindo da metrópole, é tratado como rei pelos congoleses - estes retratados, segundo o comunicado oficial da CRE, como “quase macacos, meio selvagens, falando como imbecis”.

A origem da reação da organização governamental foi uma carta escrita pelo advogado inglês David Enright. Em meados do mesmo mês, ao entrar numa das livrarias da rede, em Londres, Enright sentiu seus filhos de 2 e 7 anos ameaçados pela imagem dos nativos mostrados ali. A esposa de Enright é negra, nascida no continente africano, e seus filhos são, portanto, também negros.
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