Toda prosa
  
01 de maio de 2005
Tradutores traídos
 
Ivan Lessa, Paulo Leminiski e, no porta-retrato, Erico Verissimo
Por razões predominantemente financeiras das editoras, excelentes traduções não estão mais disponíveis para o leitor.

Quem quiser conhecer Pergunte ao pó, de John Fante, na versão do poeta Paulo Leminski publicada em 1984, terá de correr sebos e contar com a sorte.

Não se trata de caso isolado. Erico Verissimo, que nos anos 40 descobriu Horace McCoy, teve a sua tradução de A noite dos desesperados desbancada. E Ivan Lessa, cuja tradução de A sangue frio, de Truman Capote, é irretocável, também veria seu trabalho de 1975 se transformar em verdadeiro item de colecionador. Coube a ele, aliás, fazer o prefácio da nova edição.

A questão é que recomprar os direitos autorais e retraduzir costuma custar menos do que negociar com editoras brasileiras traduções já existentes.

Hoje, em vez de Erico Verissimo, quem assina a tradução de A noite dos desesperados é Renato Pompeu. Leminski foi substituído por Roberto Muggiati, e Lessa, por Sergio Flaksman. Em tempo: as novas traduções fluem.