Toda prosa
  
01 de março de 2006
Ulysses, de 1922, a edição mais cara do mundo
 
Para o bibliófilo Rubens Borba de Moraes (1899-1986), "um livro não é valioso porque é antigo e, provavelmente, raro. Existem milhões de livros antigos que nada valem porque não interessam a ninguém. A procura é que torna um livro valioso".

A sua máxima se aplica totalmente ao considerar a lista que a revista Book and magazine collector acaba de publicar, em Londres: as cem edições originais de romances do século XX mais procuradas e mais preciosas.

Encabeçando a lista, está a edição de 1922 de Ulysses, de Joyce. O livro foi publicado em mil edições, cem delas numeradas. Preço de mercado? Cem mil libras (o equivalente a aproximadamente R$ 328 mil), se o exemplar estiver em bom estado. Em seguida vêm O cão dos Baskerville, de Conan Doyle, a 80 mil libras (R$ 305 mil); Os sete pilares da sabedoria, de T.E. Lawrence, por 60 mil libras (R$ 229 mil) e O grande gatsby, de Scott Fitzgerald, 50 mil libras (R$ 191 mil). Não há um brasileiro na lista e o único francês é Proust, Em busca do tempo perdido, por 15 mil libras (R$ 57 mil). Mas nem só de clássicos vive esse mercado: a primeira edição de um Harry Potter de 1997 também chega a 15 mil libras (e fica em 28º na lista dos cem mais).

No Brasil, não existe levantamento parecido, mas dá para se imaginar que os valores são bem distintos. Basta ouvir o relato do maior bibliófilo brasileiro, José Mindlin, sobre sua disputada compra da primeira edição de O Guarani, de José de Alencar, de 1857. Nos anos 60, foi oferecido por um negociador grego por US$ 1 mil (R$ 2.600). Ele perdeu a chance de comprar e só conseguiu recuperar o exemplar quase 20 anos depois, num leilão de obras raras em Paris. Por quanto? Ele não revela.