Toda prosa
  
01 de outubro de 2006
Uma questão de futilidade pública
 
Laurindo Lalo Leal Filho, professor de jornalismo da USP, tem se metido em polêmicas. Numa das últimas, debateu com William Bonner, editor e apresentador do Jornal Nacional, sobre a existência de um suposto espectador-padrão de baixa capacidade de apreensão da realidade. No trecho a seguir, ele dá o crédito ao formulador da crítica:

"[O francês Pierre Bourdieu] trata da transformação dos telejornais em shows de variedades. Os bichinhos que o Jornal Nacional gosta de tornar notícia são para Bourdieu "fatos ônibus", assuntos que não chocam, não envolvem disputas, não tocam em nada de importante. Mas se o tempo na televisão é tão precioso, pergunta o autor, por que ocupá-lo com futilidades? Bourdieu conclui "que essas coisas fúteis são de fato muito importantes na medida em que ocultam coisas preciosas". Está aí um excelente mote para um debate na sala de aula sobre o que é notícia na televisão."

A TV sob controle, de Laurindo Lalo Leal Filho, pág. 30 (Summus Editorial, 184 págs., R$ 33,90)