Toda prosa
  
01 de outubro de 2006
Visão aguçada pela dor
 
Auto-retrato de Debret no Rio de Janeiro, em 1816
O principal artista da missão francesa de 1816, Jean-Baptiste Debret (1768-1848), manteve um caderno de viagem, no qual fazia desenhos e aquarelas que retratam paisagens encontradas no Rio de Janeiro do início do século XIX.

Esse volume permaneceu inédito, nas estantes da Biblioteca Nacional Francesa. Foi recuperado agora pelo pesquisador Julio Bandeira, que analisa as aquarelas e conta como foi a vinda do artista para cá:

"Debret tinha quase 50 anos quando aceitou o convite de Joachim Lebreton para se juntar à colônia de bonapartistas que imigrou para o Rio de Janeiro em 1816. Com Napoleão, seu patrono, exilado na ilha de Santa Helena, abandonado pela mulher, tendo perdido seu único filho, Honoré, um jovem artista de 19 anos, o pintor de história tem a visão aguçada pela aflição da dor. É, portanto, um amargurado e solitário Debret que aceita o convite de Joachim Lebreton para se juntar a uma colônia de artistas bonapartistas no ostracismo e imigrar para o Brasil, embarcando semiclandestino no brigue norteamericano Calpe."

Caderno de viagem, de Jean-Baptiste Debret, pág. 8 (Sextante, texto e organização Julio Bandeira, 98 págs., R$ 29,90)