Toda prosa
01 de maio de 2005
Vitória de Sócrates
 
I. F. Stone Companhia das Letras 280 págs.
Sócrates, como se sabe, era um elitista empedernido que vivia às turras com os democráticos cidadãos atenienses. Acusado de desencaminhar politicamente a juventude, ao atacar o sistema de autogoverno, acabou condenado à morte em 399 a.C..

O julgamento é sempre lembrado pela contradição de uma sociedade democrática processar um crime de opinião. Em O julgamento de Sócrates, I. F. Stone enfatiza outro aspecto: o filósofo, em sua defesa, preferiu não invocar o princípio da liberdade de expressão, o que poderia conduzi-lo à absolvição.

E por que não o fez? Stone especula: "Se, neste caso, Sócrates saísse vitorioso, seria também uma vitória para os princípios democráticos que ele ridicularizava. Se Sócrates fosse absolvido, Atenas seria fortalecida". O filósofo emerge do livro de Stone com seus vícios e virtudes. De um lado, o pensador que punha o conhecimento acima de tudo (o resto não passava de "doxa", simples opinião). De outro, o sábio que usava a própria sabedoria para, com fins políticos, humilhar os notáveis da cidade.

Após várias reimpressões nos anos 90, O julgamento não está mais disponível nas livrarias. Escrito por um jornalista americano do primeiro time, conhecido por sua defesa das liberdades civis, o livro provoca excitação intelectual pela clareza com que sintetiza o complexo jogo de poder na Grécia Antiga. Talvez seja a melhor introdução ao assunto.