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Reportagem |
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| Dante - Poemas autobiográficos |
| A obra de Dante se constrói em torno de um núcleo autobiográfico, tendo sempre à frente um eu poético que coincide com o eu empírico do autor |
| por Eduardo Sterzi |
| serviço: As traduções da Comédia |
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BIBLIOTECA APOSTÓLICA VATICANA/ROMA |
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| Ilustração para Inferno, da Divina comédia, feita por Sandro Botticelli |
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A PRIMEIRA TRADUÇÃO INTEGRAL da Comédia de Dante para a língua portuguesa – assinada pelo Barão da Vila da Barra (Francisco Bonifácio de Abreu) e publicada postumamente em 1888 – tem escasso interesse literário. Foi somente com a segunda tradução integral brasileira, aquela de José Pedro Xavier Pinheiro, que a obra máxima da literatura italiana ganhou, de direito, cidadania na língua. Trata-se de uma tradução ainda hoje legível (seu português envelheceu bem menos do que o do Barão). Com grafia atualizada, pode-se encontrá-la mesmo na internet. E, enquanto edições da versão pioneira são dificílimas de se achar, edições da tradução de Xavier Pinheiro estão entre as mais disponíveis em sebos, sobretudo na encadernação dos Clássicos Jackson.
Somente em 1976, quase 100 anos depois, foi publicada outra tradução integral relevante em verso, aviada por Cristiano Martins (no intervalo, saíram algumas versões em prosa, como a de Hernâni Donato, que deixa de lado a construção formal dantesca para concentrar-se na narrativa). A tradução de Martins, publicada originalmente em co-edição da Itatiaia e da Edusp, ainda hoje encontra-se nas livrarias em edição da Villa Rica. Em 1998, outra Comédia, agora sob a responsabilidade de Ítalo Eugenio Mauro, veio a público pela Editora 34. Tanto a tradução de Martins quanto a de Mauro são úteis para a compreensão dos significados do texto de Dante, mas a de Martins é um pouco mais clara, com menos torções sintáticas para recuperar as rimas, além de ser, no geral, poeticamente melhor resolvida.
Contudo, excepcional, tanto no que toca à restituição da poesia do original quanto no tocante à reproposição do significado, é a tradução de Vasco Graça Moura, um dos maiores poetas contemporâneos de Portugal. Publicada naquele país pela Bertrand, chegou ao Brasil, em edição da Landmark, em 2005 – infelizmente, com alguns problemas de composição.
Além das traduções integrais, há no Brasil toda uma série de traduções parciais da Comédia, a começar pela excelente tradução do canto XXV do Inferno por Machado de Assis. Igualmente ótimas são as traduções de Augusto de Campos para alguns cantos do Inferno e do Purgatório, assim como as de seu irmão, Haroldo, para cantos do Paraíso. E elogiáveis no mais alto grau, também, são as parciais de Henriqueta Lisboa (14 cantos do Purgatório) e de Dante Milano (três cantos do Inferno). No geral, as traduções que renunciam à integralidade são poeticamente mais eficazes, alcançando uma mais compacta combinação de forma e sentido. (E.S.) |
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| Eduardo Sterzi é poeta e doutor em Teoria e História Literária pela Unicamp, com tese sobre Dante Alighieri e a origem lírica moderna. É autor dos livros Prosa (2001) e Por que ler Dante Alighieri (2008). Atualmente, realiza pós-doutorado na USP e prepara seu segundo livro de poemas, Aleijão. |
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